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AÊ RAPEIZE, TÔ NO FACEBOOK

Eu e a comunidade não temos uma história de amor. Tenho os dedinhos mais ágeis do oeste, filho. Magrela e frágil, meu corpo deve ser um adendo dessa outra coisa que identifico como minha pessoa. Minha alma (p.s.: sou platônica, pelo menos sexualmente falando, na ideia vario) é um travesti. No mínimo. Eu definitivamente não tenho muito a ver com as imagens deste corpo como parecem nos espelhos do mundo… por isso ninguém curte minhas postagens no facebook, a não ser quando faço divertidas concessões à fórmula VALOR DE EXPOSIÇÃO que eu sei direitinho qual é, claro. Tá vendo, honey, eu podia ganhar dinheiro DE VERDADE com publicidade e escolhi essa vida ascética… quixotesca… Vem comigo que eu explico no caminho, tô indo pra Sampa amanhã tomar os meus bons drink. É negativo quando ninguém curte você/seus posts, e a negatividade, babe, é um luxo maudit. Sou uma garota fina. Daí, só me resta convencer você de que se eu tivesse ganhando a rodo com a publicidade, já com meu helicóptero e meu cartão de crédito de limite infinito, o céu seria MESMO o infinito materializado. Mas escolhi viver no limite. Do cartão, inclusive. Me empresta algum? E nós em Sampa, amanhã… tim-tim, sem fronteiras. A cidade não dorme e não serei eu a fazer a desfeita de deixá-la sem companhia… huh… Paris já era. O negócio agora é New York. Tá longe, vamos a São Paulo mesmo. Porque eu preciso respirar aquela poluição pra me restabelecer do quanto me magoa este planeta provinciano. Luzes, cimento, paisagens de Muttarelli, transistoricidade pura!, a Augusta me espera, a baixada do Glicério, o centro velho ainda não vi depois que deram um limpa lá… oquei, oquei… é onde tomo meus bons drink. Confesso. O underground me fascina. A tuberculose já era. Contemporâneo é hepatite e as DSTs, néam? Aquele meu velho sonho de alugar um cubículo fétido e úmido naquele centro velho… passar todo dia pela faculdade de Direito e erguer meu dedo médio aos fantasmas dos cuzões que insultavam Pagu, mon amour… a revolução continua, linda… antes que eu voe a seu encontro, ainda haverá muita ação por aqui… Romance industrial também já não cola, se é que… desculpa Pagu, volta aqui, Pagu! Te amo, poxa… não duvides que me magoas… se meu lar vacila é por teu angu… poxa… Paguzinha…

Farei a revolução pelo facebook. Cê duvida? Não vem me criticar com esse argumento furado de análise histórica viciada… naum, naum e NAUM… Repara que, de modo geral, todo espertinho mal esconde, no fundo e no raso, um padre enrustido. Nesse caso, muita calma nessa hora. A comunidade virtual é fofoqueira, bisbilhoteira, vil, etc (eu passava xingando a noite inteira… fácil… me paga um Jackie Daniels) e não avançou em NADA se a compararmos com os medonhos primitivos de dois milênios e meio, pra começo de conversa. Oquei. De acordo. Moralmente falando. father… Mas alguma coisinha aconteceu aí nesse intervalinho e convém considerar que. Tipo… primeiro, eu saía com uns caras me arrastando pelo cabelo, me davam umas porradas de tacape… toda hora um diferente… a gente andava de quatro pra facilitar… Séculos depois, é a comunidade aê, bronw. Tem as fitas, tem que saber chegar e tem que saber sair… firmeza? Se não te pipoco, ou sei lá, vou empilhando minhas sacações como um castelo de cartas. Num pulinho, chegamos aos tempos do Valium. É supercontemporâneo passar a vida INTEIRA no facebook. Levo meu note pro banho, sem brincadeira. Escovo na web cam, ponho pijama, tiro pijama, ponho pijama: uma concepção cíclica de vida. O relógio não me abala. Arranjei um emprego na internet. É só manter minha produtividade alta e pau no cu do patrão. Uhúúuuúúúuuú! Meu EU é livre. Nunca durmo. Minhas noites são azulzinhas… cofee cofee cofee… e meu quarto, minha cútis, meus cabelos, meus hálito exalam esse olor incrível de Campeão, ou no melhor dos casos, Ten… Light my fire. Não quero ninguém enchendo meu saco. Se eu quiser ver gente, vou beber num lugar legal. Boa? Falei. Configurei meu facebook da seguinte maneira: família, trabalho, rapeize. Quer saber quem eu sou, pergunta pra rapeize.

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AÊ RAPEIZE, TÔ NO FACEBOOK de Maryllu de Oliveira Caixeta é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
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CONFISSÃO DE UMA DONA QUE FUMA CIGARRO APAGADO PORQUE GOSTA DE FLERTAR COM OS CABELOS PERFUMADOS

O falo

Como a fala

Entram, saem

Sublimes

Em febre que

Me queima e cala

De joelhos

Ante a voz

Grave

Do que em sonho me vara

Louca feito mulher

Pedindo, arvorada, sôfrega:

– Na boca! Na boca!

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ENCONTRO DOENTE DE HISTÓRIA

(…) tout se correspond (…); c’est un résean transparent qui couvre le monde, et don’t les fils détiés se communiquent… – NERVAL

Aquilo foi, naturalmente, um milagre dos mais banais. Entusiasmados, por princípio sacamos velhas fórmulas anestésicas. Procurávamos. A velhice nos encaminha à certeza do encontro impossível. Passaremos de tolos afoitos a sábios amedrontados. Para tanto, colecionamos clicks da versão decadente, mas com estilo: a história oficial. Apenas um tiro antes de conferir o próximo buraco, no tempo inventado de um guincho. Daí, a pressa, a assepsia, o horror. Hello, goodbye heart. Encontrei sob a lua a bela que me conduziu à floresta e, despindo-se, mostrou-me chorando no seio direito, que eu mamaria, do tamanho de uma maçã, seu cancro. Eis a história de minha iluminação.

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SÃO PAULO É O SERTÃO

Mas para onde os sonhadores migram? Seu eu fosse boa, para a praia e o Rio em meu horizonte mais largo. Loving bossa nova… Se eu fosse cult, para BH, seus bares, excelências e tédios. Um dia vou ao Recife catar os meninos de lá. Os Brasis… Vim pra São Paulo ver o que é bom pra tosse. Papai não quer. Mamãe não quer. Não sou uma crunner qualquer. No fundo, que não sei soltar, formo essa fala inepta de magrela frágil, precária, como as condições de produção de arte no Brasil? Eu é que estou solta sendo o sertão desde que nem sabia disso inventado para trás. Re-confirmo quase feliz porque afinal eu entendi? Meu corpo me explica o que é o sertão. Enquanto isso, o amor ainda tem de ser possível no horror. Não para consolo ou evasão. Para substância. Exibimos sambas aos gringos, olha, tocamos na vida ou carnaval degradado, encontros casuais, oportunidades fortuitas, subsolos, michês, espeluncas… Oi gringo, ó meu rebolado… A gente corre o risco de sair ao sol e se queimar se há luz? What a hell am I talking about? São Paulo é o sertão. Instituições gente migrante-politizada-corporativista-careta tipo bacalhau na semana santa ovo de chocolate na páscoa restaurante baratinho 14 reais o quilo baby whipes como custa a dignidade o amor não existe só de mãe nem Deus a revolução talvez o álcool nossa alegria impossível acima de tudo o trabalho senso de oportunidade liberdade chã Marx pílula SESC pau no cult vale mais o cool assinamos a Folha melhor ainda a Carta Capital tv a cabo tô sob controle pago meu psiquiatra toma aí um remedinho só mais um que tudo vai ficar legal. Por toda parte, códigos de barra e cadáveres adiados que procriam. Só seis pessoas foram feridas na Parada Gay de três milhões de viados, gays plantados, existencialistas, gente aberta à experimentação, curiosos, sabe-se lá mais o quê. Um cara de Vila Madalena morreu. O Michael Jackson morreu. A Folha nem cobriu decentemente o que a polícia cobriu foi de cacete nos estudantes, funcionários e professores da USP, esses dias. Sei que vou morrer, não sei o dia. Levarei saudades do meu micro, meus MP3, o rapid share, o orkut, este blog, etecéteras… Tanta saudade em meu peito. Londres, Tóquio, Nova Iorque, Madri… Lugares lindos do mundo que eu quis e não me deram. Sobreviverão sem mim? Minha copoanheira do Bar do Zinho falava falava falava, bebendo seu conhaque, apalpando o desencanto por comédia. O garçon trés gentill homme advertiu que pinga não é água, fechava o estabelecimento se dirigindo a nós: senhoras (!!!), tem gente que trabalha cedo amanhã… Assim nasce a literatura, quando o escritor é enxotado do bar por um ex-viciado confesso com pitos de padre. Puxei minha Schimidt, tá tá tá tá. Desfechei na rede. Antigamente, os Brasis do futuro… Ao que há: devir.

 

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NADA

Espelho, espelho meu. Minha face deve parecer trágica. Uma máscara emergente ao fim de um pacto de anos. Eu é que seja terrível, nesse espectro, dessa vez que inicia outro ciclo. Hesito depois da coroação de uma vontade pré-esboçada, eleita apenas por compor também vestígios de um enredo encantado. Mas o artifício se estraga em ser explícito. Onde cabe o repouso desta angústia: o valor. Adorno-me com a fita do Senhor do Bom Fim, por anos. Passo rezando, temerosa, por necessidades. Há em mim um compasso lento somado à miopia e à especulação espiritual. Regem-nos meia dúzia de edições de bolso e a experiência da liberdade, lá onde se adivinha o barquinho de papel – abismo. A mágica do herói bate à porta da megera, abraçam-se, desmancham-se. A felicidade do outro será bem longe de mim, porque tenho medo de prestar-lhe esse serviço. Minhas mãos ásperas estão sempre debaixo destes olhos, parcelando-me, por dever. O que também serve de álibi, ainda, e no temor de que eu é que seja terrível. Pareceu-me sempre que eu construiria uma cidade, ou a reformaria. Das maçanetas às torneiras, dos pavimentos aos talheres, tudo sob uma ordem doce e útil. A chuva coroa meu sonho, como se ele fosse verde. Então, eu ainda era a própria chuva. Porque a minha Jerusalém permanece enquanto torço o nariz às fronteiras. Posso passar a vida num silêncio de pedra? Isso parece grande demais, me aperta, me paralisa. Ofendo os sons com intenções imprecisas, muito adivinhadas à lápis, ante a borracha. A iluminação, se há iluminação, tem de ser a lápis, ou borra-me o princípio – que é passar. Há ocupações mais sérias e dignas, consinto. Temo a palavra vagabunda, anunciada neste fado. Por brio, eu teria de abraçar o primeiro bonde ao invés de reclamar milagres. Por escrúpulo, a dependência transtorna a evasão. Talvez eu carregasse caixas daqui para lá ou cozinhasse, ou preenchesse formulários. Aos fins dos dias, no mesmo bar, falasse de política e inutilizasse o amor. Para ser exata. Tenho fome. Padeço o que sou.

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Poeta ?

 

Será que eu ainda sou poeta ? Faz uns dias que não escrevo um verso sequer. Ele está cá dentro e não quer sair. A poesia desse momento continua invadindo minha vida inteira. Mas no meio dessa bagunça de mudança, net cortada, quilômetros pra pedalar de bicicleta, a poesia tem me encontrado na rua, só… E quando leio “Manuelzão e Miguilim” choro, antes de dormir, exausta, no meu novo quarto barulhento. Os carros passam brrrrrrrrrrrrrmmm !!!!! Pra quê tanta pressa, meu Deus ? Ê ê ê ê São Paulo… Nesse estado, ficaremos em que estado ? Cenas do próximo capítulo. 

FESTA: two lost souls

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A música parou
E fui mudar de cd.

 
 
Nada
Em mente.
 
 
 
Nas mãos, descobri
Apenas GREATEST HITS
E coletâneas de novelas.
 
 
Ele me olhava como num e então ?
Eu padecendo muito o silêncio
Após o groove dele.
Toda dor na face
E minha alma
Já nem mais dançava
Abatida,
Pois meus olhos encontraram, naquele instante,
Em minhas mãos,
Apenas GREATEST HITS
E coletâneas de novelas.
 
 
Minha mente em branco
Adivinhava os olhos dele
No espelho desse desespero.
 
Eu a desmancha rodinha
Eu a buzina
A vaia
Naquela pausa de séculos.
 
Mas, num ímpeto,
Dei de não bater em retirada.
Oh, não!
 
 
 
Saquei o violão!
Whish you were here
Sábado de sol
Yesterday
Oceano…

 
 
Nada! Nada!
 
 
Começava e pulava pra outra
Sempre nesse mesmo repertório.
 
 
Tinha a voz interditada.
 
 
Já uma multidão de fantasmas
Se acercava
E você, tomando a frente,
Pedra na mão e a bagagem
De botar o pé na estrada.
 
 
 
Que valia eu, então ?
Aonde foram
Todos os dentes de meu sorriso?
 
 
Se ao menos
Me viesse uma piada…
 
 
 
Diante de mim
Apenas GREATEST HITS
E coletâneas de novelas
 
O violão quebrado
E esse silêncio
Instalado de vez
Como amante até dessas pausas onde a dor é rainha
De uma festa sem fim nem princípio
Além de mim
Além, onde cabe tudo… Oh!
 
 
How I wish
How I wish you were here.
 

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Todos os e-mails de amor são ridículos

 

 

Fernando Pessoa encontra os Piratas do Tietê - LAERTE

Fernando Pessoa encontra os Piratas do Tietê - LAERTE

Todos os e-mails de amor são
Ridículos.
Não seriam e-mails de amor se não fossem
Ridículos.

Também escrevi em meu tempo e-mails de amor,
Como os outros,
Ridículos.

Os e-mails de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículos.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
E-mails de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera o tempo em que escrevia
Sem dar por isso
E-mails de amor
Ridículos.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Desses e-mails de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Blogueiros…

 

Por que as pessoas têm feito tantos blogs para postar textos de outras pessoas ? O blog vira um mosaico de textos que a pessoa assina, validando a própria opinião, ou o próprio bom gosto ou a própria instrução, etc, etc, etc. Mas e onde estão os textos dessas pessoas ? Algumas já publicaram e superaram de uma vez por todas o degrau dos blogs (não chame um escritor de bloggeiro que ele se ofende!), pelo menos como suporte para a literatura que produziram ou produzem. E quanto aos autores não publicados em meios impressos? Não sei deles por aí, por toda parte … Imaginemo-nos:

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