SILÊNCIOS RUÍDOS

Suspendo as suspeições

Quanto aos planos –

As estruturas giram,

Os signos entortam, tontos –

E canto ao tom órfico

Que te emprestastes.

.

.

Meu estômago

É que rói

O silêncio

E me grita que um corpo

Espera

Alimento,

Planos: listas de supermercado,

Tempos de cozimento

E o asseio diário.

O tempo me partilha.

.

.

Muito cálculo

Institui

O preparo minucioso

Do entorno

No abrir este modo

De estar no tempo

– aion –

Rompendo-o ou

Ao menos

Podendo mais que o ruído da rua

E do corpo.

Este o plano principal.

E alarga-lo:

Os sub-planos.

.

.

Presa,

Tocas o tabaco

Tonto

De caçar

Tais planos

E bolas

Cilindros

Destinados

Ao fogo

E à fumaça.

.

.

Aprisionou-te um tantinho

O gesto

(magia)

No movimento

Medonho

Do rio.

.

.

Quem leva o barco.

O que navega.

Em que rumo.

Matutas tanto,

Genioso.

.

.

Tontos

Entre

Tantos

Correm-se.

Me

Ditam:

Não,

Põe a mesa,

Come,

Lava-te,

Fuma

Em paz,

Ama as tuas plantas.

.

.

Sim, sim –

Mas

É

Que

Sou

Mesmo

De

Barulho.

.

.

E declaro

Na lata

Que claro

Há um plano

De fertilidade

Ruidosa.

Nada é secreto,

Meus mistérios:

Aí está.

.

.

O motor

Que me

Comove.

.

.

Assim

Explícito

O mistério

Ganha este ar

Ruidoso

.

.

De

Antro

——————-f  a

G

.

.

Ia

Mos nus pela rua cantando um rock transato

Mas eu te via

E o rock

Era

De fato.

.

.

Outroras: auroras de outras horas.

.

.

O plano

De agora, claro,

É outro.

.

.

Não chega a matemática

A não ser

Matemática

Pura

Como nem

Lenda já houvesse

Sido.

.

.

Um plano

Da China,

Muito antigo

E refeito

Em cálculos

Quânticos.

.

.

Num instante

Abriu

Esta fenda/esta flecha.

.

.

Apanho-a

Ruidosa

No ar.

.

.

O ruído

Não

Me molesta.

.

.

É

Que

Sou

Mesmo

De

Barulho.

.

.

O mistério

Nas coisas

Pousadas em si mesmas

Como esta xícara simples sobre a mesa com chá.

.

.

O mistério

Me honra.

.

.

Teremos

De espreitar

As soluções

Ruidosas

Que vêm

Nos ventos

Da rua

E

Vê-las

Passar

Se

Quisermos

Restar

Pousados

Junto

A essas

xícaras

simples

de chá.

.

.

Um ninho

Ameno

E

Vens

De

Cantarolar

No sereno.

.

.

Vens tarde,

Mas vens.

.

.

És um colo

Imenso

E lá em cima

Uma barba

Pra eu me pendurar

Se houver

Balanço.

Deus.

Pai.

Mistério ruidoso.

.

.

Se

Pagar

O pique.

Se

Não

O

Plano,

Acho-o

Bonito,

Voa

E vai

Estrondoso

Pro céu

Em outro

Aero

Plano.

.

.

Que

Se.

.

.

Dano.

.

.

Que

Sou

Mesmo

É

De

Barulho.

Licença Creative Commons
SILÊNCIOS RUÍDOS de Maryllu de Oliveira Caixeta está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em maryllu.wordpress.com.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais às concedidas no âmbito desta licença em maryllu.wordpress.com.

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