UM HUMORISTA VALE MUITA MUNIÇÃO NO MERCADO DA OPINIÃO

O texto aí começa citando Dante pra defender a autonomia da arte.

http://www.ocafezinho.com/2015/01/12/porque-eu-sou-charlie-hebdo/

Dante esculhambou Maomé e como é um cânone a gente ficaria obrigado a apoiar o procedimento. O artigo usa a noção da autonomia para defender o “vale tudo”. O artigo cita Dante pra defender a autonomia sugerida como vale tudo. E depois investe contra a posição do padre (ou outro cara tipo padre) que diz que os cartunistas franceses erraram no procedimento “vale tudo”. O artigo nos constrange a aceitar o “vale tudo”, mais uma vez. E se fundamenta em noções bastante abstratas como a de autonomia-vale-tudo, a de liberdade de imprensa, a de “arte” e a de liberdade. Se eu contra-argumentar, mesmo fazendo ressalvas e deixando claro que não apoio assassinos, serei acusada de terrorismo, de nazismo, de burrice etc. Grande sinuca. Vamos colocar as coisas de modo bem prático. Sem retaliação de violência desproporcional a uma simples zoeira… No dia em que eu puder zoar numa boa, com a cara dos meus superiores, do meu pai, do policial na manifestação, do macho alfa, da ‘high society’, de toda a rapaziada, da sua galera, da sua mãe, da extrema esquerda e da extrema direita, nesse maravilhoso dia liberal, aí eu defenderei o “vale tudo” e esse será um mundo de aventuras ilimitadas para mim. Assim o desejo.

O jornal francês era independente e usava um humor pesadão pra conseguir manter a linha editorial de esquerda. Como eu não era leitora desse jornal, não vou me posicionar sobre o jornal. Talvez fosse muito engraçado, muito bacana. Não duvido. Acho que o Rafinha Bastos , por exemplo, tem ótimos momentos. A TV Pirata era ótima. O Porta dos Fundos é excelente. Até o exemplar South Park consegue acertar a mão, às vezes.

O artigo insiste na oposição CIVILIZAÇÃO X BARBÁRIE. Que, do ponto de vista antropofágico, é uma questão odontológica. E quando dói o dente, a gente vai ao dentista, mas é caro. Aí, em último caso, a gente arranca o dente. E todo mundo vai rir do banguela. O banguela reza com um olho e olha pra faca com o outro. Vamos respeitar a fé do banguela? Não. Somos civilizados e inteligentes. Somos Charlie, somos Baga, e não somos banguelas. Hihi

Na passeata na França, Benjamin Netanyahu era 1 entre 4 milhões. Por causa de uma contabilidade como essa é que o mundo vive uma crise de representatividade.

“A violência interessa aos barões da indústria bélica”. Provavelmente foram esses barões mesmo que financiaram ou articularam a chacina, o assassinato dos humoristas franceses. E a gente vai ficar aqui defendendo a civilização e a liberdade de imprensa. E discordamos todos do radicalismo islâmico, de qualquer radicalismo. Radicalíssima será a contraofensiva também patrocinada pelos barões da indústria bélica.

No final das contas, fiquei tendo a impressão tristíssima do valor que têm os artistas-humoristas (ou tipo isso) para os barões da indústria bélica. Valor de uso. Valor simbólico. Esses barões são como crianças jogando “War”. Se você bombardeia esse jornalzinho aqui, você ganha milhões de pontos e de munição para bombardear muito mais. Daí que jogo e humor sejam coisas muito sérias.

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