PUN&CAT SOBE AO CÉU COM KITSUNE

O que não há acontece. Kitsune levou Pun&cat para voar pelo céu onde dançaram e conversaram, naturalmente, sobre o incompreensível.

PUN&CAT: Sabe por que as estrelas não fazem miau? Porque astro-no-mia.

Em silêncio, Kitsune, branca propelia luz.

PUN&CAT: A coisa mais estranha que já fiz na vida foi descer naquela caverna onde encontrei você. Nossa… e… de longe, você parece uma gata…

KITSUNE: Sou uma canidae.

PUN&CAT: Um cão?

KITSUNE: Oh não, não… os cães são meus inimigos. Sou uma raposinha…

PUN&CAT: Sabe qual a parte do corpo que cheira bacalhau?

Kitsune nem sempre consegue ouvir o que as pessoas dizem.

PUN&CAT: O nariz! Aushuahsuahsuash Pensei que você fosse mais esperta. Tsc… tsc… Nem esperta, nem gata, nem jovem, nem mulher, nem homem, nem gay… Tudo enganação. Que Exu…

Então, Kitsune não interrogava o céu. Estremecia com o que via. Fechou os olhos por trás dos olhos. Para evocar a chuva e o sol, simultâneos. Para saltar no espaço e no tempo, espontânea, segredo sem cofre. Por fora, só de leve espremia os olhinhos lembrando ao instante que correr é o mesmo que não. . . sabedoria do enquanto isso. Pun&cat se espreguiçava e se aconselhava, embora Kit lhe parecesse um pouco bobinha…

PUN&CAT: Kit, posso te chamar de Kit? Qual o doce preferido do átomo?

Aprendera todas essas coisas espertas em revistas e livros bem reputados, de circulação restrita, novidades editoriais de ponta. Mesmo assim, Kitsune escapava. Seria preciso utilizar logo a carta na manga, presente do Peguete, como senha.

PUN&CAT: Pé-de-moléculas! Hahah.

Kitsune sondava o chão. Regougava. Mas para dentro, da isca…equidistante.

PUN&CAT (pose de autorretrato no facebook): Kit, fico contente por ser bem-vinda.

Piscadelas embaraçosas . . .

. . .

Kitsune evocava a conjunção do sol, da neve, da noite e da chuva. . .

Os gatos? Não são cães, ainda que domésticos…

Soube-se raposa, Neste mundo de cães, 

Pelos gatos.

Um dia, um gato veio até ela e zurrou, com um espelho.

Retribuiu com uma mesura, grata.

Escreve versos para saltar, só, miraculosa.

Chuva! Sol! Neve! Noite!

E sonha co’as grossas lágrimas da dor que o encontro prenuncia.

Não importando se muito muito longe o dia

da extinção do outro, se cruel, se nada…

Pulos, cirandas, luas. A velocidade da luz.

. . .

Longe já ía. O impossível sustendo-a em sonho.

PUN&CAT (ecoando a vãos pulmões): EEEI KIIIT, SAAABE O QUE ÉÉ UMA MOLÉÉCULA? ÉÉ UMA MENINOOLA MUITOO SAPÉÉCULAA!

Não sem algum contragosto pelo crédito desperdiçado ao Peguete, viu-se retornar ao chão e Kitsune desapareceu na neblina. Poxa, Pun&cat vinha se aplicando, ultimamente. Tudo tão óbvio nessa vida de cat que dava no saco grão por grão na ampulhetinha promissora… Fazendo um quadradinho de oito no abadá do Bonde das Maravilhas, teve uma intuição: desenhou um oito dentro de um quadrado e levou ao Peguete, um filósofo. Ela nem tentaria decifrar um enigma, deixava isso para os filósofos. Cinco ou seis drinks depois, na cama acetinada e redonda, mirando o espelho no teto, o magrelo saíra com a irretocável equação.

PEGUETE: O oito dentro do quadrado… trata-se da impossibilidade da quadratura do círculo! Eureka! Eureka!

Dissera aquilo com um entusiasmo ainda maior que o do gozo recente. E encadeara uma fileira de paradoxos. Do que Pun&cat reteve um ou outro trocadilho. Pediu umas dicas práticas. Então o magrelo, puxando-a pela cinturinha para uma continuação, prometera e-mail com indicações de lançamentos de revistas e livros reputados. Mais até, dera o endereço, ponto secreto, da caverna onde Kitsune se esconde com os segredos do cosmos.

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Uma resposta para “PUN&CAT SOBE AO CÉU COM KITSUNE

  1. “faz quadradinho de oito”

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