A PRAGA DO BELETRISMO NOS CURSOS DE LETRAS

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C@ro Guilherme,

O caso é que estudei mesmo Letras e isso dava um épico, porque os deuses devem ter me trazido até aqui… o que considero a explicação mais razoável para não ter sucumbido, ainda.

Do Kundera li pouca coisa, pro gasto. Acho que apenas o “Insustentável…” e alguma outra coisinha pouca que não recordo agora. Talvez seja coisa de letrado o Kundera. Porque a parte inexpressiva dos que gostam de ler e fazem Letras deve acabar lendo e gostando ou não (oh o debate) do Kundera que abunda em sebos e pode ser encontrado na biblioteca de sua cidade, de seu bairro, etc, quiçá no 1,99 $. Como diabo são distribuídos os livros no Brasil? Good question. Americanos saberiam responder na lata esse tipo de coisa, porque a manutenção da máquina arrojada de pulp fiction & best sellers deles exige perfis bem delineados desse tipo de consumidor, de livros. Aqui, sobram dúvidas nada filosóficas, antes de começar o papo. Que os alunos de letras não gostam de ler não sei se é novidade, pra você. Ficaremos com uma ou duas piadas. Tipo: minha professora de Teoria I foi coagida por meus colegas a tirar a Odisséia do programa porque é um livro deveras grosso. Bastante representativo, o caso mais ilumina que encobre, garanto. E paro aqui, que outros podem desfiar o fio desta meada para você. Riríamos juntos, você me pagando uma dose de qualquer coisa. Mas creio que já deu, hoje, isso.

As garotas da letras merecem menção honrosa. Não todas, claro. Mas aquelas… Lembras ainda? Tufos de perfumes… Eu sonhava? Eu vinha de muito longe? Não sei decerto o que me acontecia, mas que tudo era de repente e elas… vultosas… Outras, tão de perto me cegaram que terminarei meus dias ainda tonta entre sei não e uai, foi? Nó…  Nó… E digo que: ai ai…

Lamento informar que talvez os companheiros fantasmáticos que rabiscam Kundera não sejam exatamente da Letras… Talvez da História, quem sabe. Pense naquelas moças da história com camiseta do PSTU, rabo de cavalo, jeans surrado e conga. As fadas da Letras, em geral, lêem: Umberto Eco, Saramago, Caio F. A., Manuel de Barros, Vinícius, Clarice, Chico, Rubem Alves, Rubem Fonseca, Milton Hatoum e Cristovão Tezza. A pedidos, incluo  também o Rosa nessa listinha, já que para as fadas “A terceira margem do rio” e o Miguilim são praticamente just like heroin… Entre uma birinight e outra, aposte neles.

Essa fada
essa fada…
quem é que se safaria…

Do Kothe e do Bordieu li alguma coisa, não lembro agora. Aliás, esqueço quase tudo pelo que não me apaixono perdidamente. Mas ficho, bonitinha, para o serviço.

Em geral, quem faz Letras não vira crítico literário nem gramático. Vira professor de português, inglês, literatura ou redação, advogado (fazem Direito, depois), cônjuge e caçador de editais. Vamos pular a parte dos gramáticos. Os críticos de literatura, no Brasil, francamente não sei como se fazem. Penso que a maior parte das publicações de crítica da literatura são textos de especialistas, nas revistas dos cursos de Letras. Sobre o Costa Lima, há o “Vida e mímesis” que costumo recomendar, como leitura introdutória. No comecinho, ele apresenta a própria trajetória como crítico e teórico. Servirá bem, para a questão em pauta.

Henry Miller eu mais fiquei folheando nas livrarias. Nunca estivemos juntos por tempo considerável para maiores impressões. Também ele não me pega muito de jeito. As edições costumam ser muito bonitas, o que me chama a atenção, no sentido mais intrigado do faro.

Não sei bem direitinho se a Teoria da Literatura é uma ciência. Dá pano para mangas isso. Tendo a pensar que não. Porque a literatura e o método por vezes se desencontram… Mas os teóricos da literatura precisam das ciências e, talvez principalmente, da filosofia (ciência?).

A implicância do Costa Lima com o excesso de disciplinas pedagógicas nos cursos de Letras é bastante pertinente. O problema da educação no Brasil não depende de fórmulas mágicas pedagógicas. Tadinho do professor, na foto de mártir a que o constrangem… A arte de desasnar meninos e meninas ainda não transforma cuspe em mel… Lembro da professora Helena, e embarco nesse carrossel, another brick in the wall… Amiga, da escola?

Beijo

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Uma resposta para “A PRAGA DO BELETRISMO NOS CURSOS DE LETRAS

  1. Adorei o seu blog. Seus textos são muito bons. Congratulações!