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Xouzinho mequetrefe…

Xouzinhos mequetrefes e bandinhas locais definitivamente fazem a minha. Queria mais xouzinhos mequetrefes e mais bandinhas locais espalhando-se pela cidade como pragas. Multidões de moleques e molecas botando a boca no mundo. E também os adultos e os velhos. Já somos os netos do rock and roll. Precisamos disso. Não apenas para sacudir a cabeça e o traseiro, enfiar o pé na jaca, pegar, ver o movimento e com a ajuda dos exus tentar contato amigo com o outro. Também porque algumas coisas precisam ser ditas, cuspidas, gritadas, cochichadas, trinadas, etc, sobre tudo isso aqui agora. Caso contrário, seria como ficar velha não tendo nenhuma fotografia pra contar vantagem no bingo que eu era mesmo gata aos 15. O tempo nos escapa em velocidade crescente rumo ao túmulo. Venha pegar o que é seu, pegarei o que é meu porque a gente sabe como ainda pode ser bom. Faço cara de brava quando o tempo do relógio ganha de goleada do meu próprio time. Aventura e melancolia porque as expectativas precisam ser, no mínimo, de não senso. Ou então, não dá mais nem pra rir a não ser por convenção. Raras vezes de trovoadas. Em geral, de leve e por boa vontade civil. Precisamos desses moleques e molecas cabeludos, desesperadamente. Que eles sobrevivam às espinhas, à junkeria e às engrenagens que apararão seus cachos, pra começar. Alguma coisa está no ar e desaparecerá se ninguém notar, se ninguém mostrar. Por isso. Bandinhas locais em xouzinhos mequetrefes… pra você ver… pois é… quem diria…

DE AMOR OU SAUDADE…

Ela cantarola sempre um improviso que parece antigo motivo de amor ou saudade. Em casa, mandam-lhe calar a boca. Sabe que uma canção não incomoda sempre. Aplaudem e pagam por canções pungentes, no teatro. Limpando a coxia, no trabalho, não convém enzonar. Canta enquanto caminha para o ponto, canta no ônibus, rindo, lacrimejando… Desce, chuta pedrinhas, colhe uma flor na calçada e ajuda uma velha com o lixo.

O cantor diverte a turma bebe, pita, fala, grita, dança, pede licença, licença… Schopen e eu pedimos mais chops ao garçon. Parir não é para rir. A chusma tá nem aí… Vieram ver os amigos. E não podia ser uma reuniãozinha em casa. Schopen e eu não pegamos ninguém, de novo. Nos mandamos para o baixo meretrício com uma câmera. Conduzimos uma japonesinha ao motel. Ela ri e fala como uma criança, usa lingerie de cetim, meias 5/8 e bijous. Filmo o Schopen com a japonesa, explícitos. Tremo de excitação e desespero. Ele vomita, demonstrando total empatia. Damos um banho nela. Passamos perfume. Schopen me filma beijando aqueles pés enquanto choro.

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YOU´RE SO DISSIMULATED. YOU´RE SO PERVERTED…

Si Le viol, le poison, le poignard, l´incendie,
Non pas encore brodé de leurs plaisants dessins
Le canevas banal de nos piteux destins,
C´est que notre ame, hélás! n´est pas assez hardie.
(“Au lecteur” – Fleurs du mal)

A bocada ferve ou não ferve?! That´s the point. O bom e velho rock and roll parece saído de algum museu, às vezes, onde figuramos como bonecos de cera. O museu de cera das sociedades humanóides. Tome uma dose de qualquer coisa porque do contrário, nada vai derreter…

Então, você vai a uma festa junina na praça. Nem demora, já vem um moço de camiseta laranja com vários logotipos em alto relevo cinza escritos em inglês, tufos de perfume, gel no cabelo y soy rebelde, masca chiclete, usa uma corrente dourada no pescoço e outra no braço junto com o relógio prateado e enorme – deve ser prata de verdade, como a fivela, ele está muito seguro, sorridente e balança as chaves do carro no indicador. Aquelas palavras soam mágicas de tão remoto o gatinha, quer dançar? Primeiro, a graça da novidade, depois o álcool. Você pode se divertir, dançar com as engrenagens da indústria. Vitor e Leo são os preferidos dele. Você sorri, gatinha… Seu sorriso é uma delícia, sabia?

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QUANDO A GENTE ACHA A TAMPA DA PRÓPRIA PANELA

Aqui em casa, de tanto subir e descer escada, cai-me justo o figurino do platonismo: uma lycra azul, com cuecão vermelho e um S cravado no peito de super-eu, encarando o trânsito na totalidade dos níveis como um body jump. Personalismo & personificação, capital cultural & comércio imaginário, comunicação & vanguarda, perversão & mito. Quando a gente acha a tampa da própria panela… Depois de algumas birinights, rolamos no chão, no céu, você se sente brutal. Toda apropriação é interessada, com mais o rebolado afrontoso e promessas cafajestes de satisfação. Daí, na festa de Arnaldo Baptista, Macalé, Raul e Mutantes soam, juvenis, os rifles de sua pândega. Danço mil camponesas em meio às belezas que a noite de chuva despia… O sono me nocauteia, logo cedo, o café agride meu estômago e não permito cigarros dentro de casa a não ser que o carburador seja também um galã de cinema ou eu mesma num vestido de brilhantina com cigarrilha de cabaré. Cantarei um blues sob a luz neon. A insônia e a cafeína devem ser meus ômegas, meus Zs, meus fins, eu sei lá.

Licença Creative Commons
QUANDO A GENTE ACHA A TAMPA DA PRÓPRIA PANELA de Maryllu de Oliveira Caixêta é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at www.maryllu.wordpress.com.

A SÁTIRA E O MENESTREL

Era noite de festa, na floresta. A neblina espessa tragava qualquer forma a menos de 5 metros. Regozijava-me a voz longínqua de um menestrel: Deus estava no bolo de cenoura, na nossa paixão, era a saliva da minha boca. Eu bebia cachaça no canudinho, calibrando a audição. Rolei na areia, joguei bola, por fim fiquei nua e pulei no lago com os amigos (todos ótimos) do meu namorado.

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LOVE ME TENDER: com muito rebolado

Elvis na fase decadente é bem melhor que muita gente. Ele não podia aparecer da cintura para baixo na televisão porque rebolava lindamente. Topetudo, galã, e ainda dançava… Temos muito o que aprender com Elvis sobre as garotas. Vejam os filmes, todos iguais… “Elvis no Havaí”, “Elvis no Japão”, “Elvis em Aracoara”… Se mete em brigas, dirige um conversível em alta velocidade, fuma, se exibe em trajes de banho, apaixona-se por uma gatinha proibida… Ele é um mito masculino mais forte que James Dean, porque cantava, tocava violão e no fundo bem na superfície era, inequivocamente, um bom rapaz. Todos os garotos aprendem a tocar violão para cantar Love me tender para ela… Com aquele olhar de Elvis, milhares de garotos devem ter se aproximado de milhares de garotas para reinventar a roda, em todo o mundo! E vários desses galãs de hoje são um mero decalque dele, que viabilizou rock para a juventude branca, para as princesinhas brancas e suas idéias modernas, suas danças avançadas, suas pernas de fora, seus desejos negros… Os Estados Unidos precisavam do Elvis. Importamos e carnavalizamos o way of life deles, o rock and roll life style, os carangos, os chicletes, as mini-saias, o status jovem das gírias da hora, a sensaboria do burguês satisfeito com seus mil canais a cabo, a lanchonete, o puritanismo e a Madona alternando as faces monótonas da moeda sexualista que nos hipnotiza há décadas, o protestantismo colonizando o sertão, o gospel, o soul, o punk, o hip-hop, etc. Os custos vitalícios da produção-tocação de rock no Brasil vão abrindo caminho enquanto reconfiguram o haver ou não garagem, guitarra, bateria, baixo, amplificador, microfones, etc, com mais a fome encontrando a vontade de comer. Elvis nos salve do medo e da pasmaceira. Tenderly… Rebolaremos muito em sua homenagem, alegres, gentis, antropófagos.

QUARESMEIRA E NOVIÇOS

Max leu minha mão, principiei no auto-desconhecimento, mais esta vez. Quaresmeira em flor. Concluí que, sendo Quaresma, os peixes loucos, as galinhas poedeiras todas de greve, lobisomens e mulas-sem-cabeça dando sopa, deduzi que sendo Quaresma, sempre é tempo de religare.

Estou cheia das razões amorosas, supra-horológicas. Saturno me corta ao meio. Porém, ainda em flor já garatujo o monte da lua. Em mim, o que penso está sentindo.

Sendo assim, faço entrar os personagens da carne.

Dois deles, com quem espero travar algum diálogo, algum dia que, dentro do possível, não virá. Nasci para mágica? E dou graças.

Noviço n° 1: para quem era uma vez esta boca feminil acostumada ao amargo da vida. E deu-se a entrada dos demônios. E do cognhac.

Noviço n° 2: semelhante ao outro. E dou graças. Cambaleamos os três até o mosteiro onde Bach moerá eternamente um órgão de tubos acompanhando oboés tocados por mini-anjinhos tenros, róseos, rechonchudos. Mundanos, decadentes. E dou graças. Meu cigarro segue apagado, frustrando a cena em que figuro como um cão tolerado pela gerência por ser inofensivo. Mas um existencialista, com toda razão, se veste com uma casca de banana nanica.

Deus abençoe o carnaval. Sublimo Bach com os oboés e os anjos. Clara Nunes já fazendo mais que a do Cabrobró. No reboleichean regado à cerveja também se fomos a Roma.

Miserere nóbis. E dou graças.

Caio muito antes de ambos, aliás, diga-se. Cairei dançando.

BARULHANDO

Meu coração

tem uma inflamação

que não sara.

Mas mamãe liga a tv

enquanto escrevo pra você

pela net, aqui da sala

Onde fica o meu pc.

Então farei

história

na civilização

com todo esse barulho

de televisão?

A popozuda fanha:

“…vou botar muita pressão…

… vou botar muita pressão…”

Tive uma inspiração tacanha.

Sei que soarei retrô,

mas algo me bateu

juro, me bateu

como se Keith Moon

fosse O DIGITADOR.

- Menina! Quer quebrar

esse computador?

Outra inspiração tacanha…

Sei que soarei retrô,

mas algo me bateu

juro, me bateu

como se Keith Moon

fosse O DIGITADOR !

Voou caco pra todo lado.

Mamãe não entendeu – a plebe rude…

Mas, baby, eu tenho certeza

Que cê foi ao delírio…

                                                           Oh yeah

PLÁGIO 100%: produções Barba Negra

Meninos que lêem Bukowski e escutam Bob Dylan

Puta merda! Burrice, burrice…

Coloca o som do Bob Dylan e pega emprestado a porra de um livro decente e cheio de sacanagem. Burrice não só pelo fato da Maryllu não entender as músicas do Bob Dylan que não são da época de protesto, aliás entender música o caralho! Não! Não só, não importa as músicas do Bob Dylan, mas eu quis por esse som, eu quis achar algum som de alguém que tenha sido bem porra louca, tão porra louca quanto o catso do Marcelo Mirisola. O Herói Devolvido me deixa puto, mas eu leio mesmo assim.

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JUPTER MAÇÃ FOREVER AND EVER

C@ro Pepper,

Sabe que eu não sou muito chegada em Tarantino? Até gosto, mas como no futebol, não me empolgo tanto…

Meu entusiasmo excessivo com Jupiter Maçã… Também não entendo que desconheçam pérolas como o HICIVILIZATION e o PLASTIC SODA. É por aí que eu falo em genialidade. Acho também divertido, como nada mais me pega tanto, sacado, no clima do rock and roll como temos dificuldade de sentir. O humor é irretocável. E a gente tem de ouvir desde os CASCAVELETES, ouvir tudo. Rir da despretensão, da juventude como raramente a temos no Brasil. Raramente. Para onde vai a minha juventude? Muita droga pra pouco sexo (e ruim!) e o rock and roll é fita classe média. Quem tem uma garagem e uma guitarra no Brasil? Rimos com: http://classemediawayoflife.blogspot.com/

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