(…) tout se correspond (…); c’est un résean transparent qui couvre le monde, et don’t les fils détiés se communiquent… – NERVAL
Aquilo foi, naturalmente, um milagre dos mais banais. Entusiasmados, por princípio sacamos velhas fórmulas anestésicas. Procurávamos. A velhice nos encaminha à certeza do encontro impossível. Passaremos de tolos afoitos a sábios amedrontados. Para tanto, colecionamos clicks da versão decadente, mas com estilo: a história oficial. Apenas um tiro antes de conferir o próximo buraco, no tempo inventado de um guincho. Daí, a pressa, a assepsia, o horror. Hello, goodbye heart. Encontrei sob a lua a bela que me conduziu à floresta e, despindo-se, mostrou-me chorando no seio direito, que eu mamaria, do tamanho de uma maçã, seu cancro. Eis a história de minha iluminação.
Mas para onde os sonhadores migram? Seu eu fosse boa, para a praia e o Rio em meu horizonte mais largo. Loving bossa nova… Se eu fosse cult, para BH, seus bares, excelências e tédios. Um dia vou ao Recife catar os meninos de lá. Os Brasis… Vim pra São Paulo ver o que é bom pra tosse. Papai não quer. Mamãe não quer. Não sou uma crunner qualquer. No fundo, que não sei soltar, formo essa fala inepta de magrela frágil, precária, como as condições de produção de arte no Brasil? Eu é que estou solta sendo o sertão desde que nem sabia disso inventado para trás. Re-confirmo quase feliz porque afinal eu entendi? Meu corpo me explica o que é o sertão. Enquanto isso, o amor ainda tem de ser possível no horror. Não para consolo ou evasão. Para substância. Exibimos sambas aos gringos, olha, tocamos na vida ou carnaval degradado, encontros casuais, oportunidades fortuitas, subsolos, michês, espeluncas… Oi gringo, ó meu rebolado… A gente corre o risco de sair ao sol e se queimar se há luz? What a hell am I talking about? São Paulo é o sertão. Instituições gente migrante-politizada-corporativista-careta tipo bacalhau na semana santa ovo de chocolate na páscoa restaurante baratinho 14 reais o quilo baby whipes como custa a dignidade o amor não existe só de mãe nem Deus a revolução talvez o álcool nossa alegria impossível acima de tudo o trabalho senso de oportunidade liberdade chã Marx pílula SESC pau no cult vale mais o cool assinamos a Folha melhor ainda a Carta Capital tv a cabo tô sob controle pago meu psiquiatra toma aí um remedinho só mais um que tudo vai ficar legal. Por toda parte, códigos de barra e cadáveres adiados que procriam. Só seis pessoas foram feridas na Parada Gay de três milhões de viados, gays plantados, existencialistas, gente aberta à experimentação, curiosos, sabe-se lá mais o quê. Um cara de Vila Madalena morreu. O Michael Jackson morreu. A Folha nem cobriu decentemente o que a polícia cobriu foi de cacete nos estudantes, funcionários e professores da USP, esses dias. Sei que vou morrer, não sei o dia. Levarei saudades do meu micro, meus MP3, o rapid share, o orkut, este blog, etecéteras… Tanta saudade em meu peito. Londres, Tóquio, Nova Iorque, Madri… Lugares lindos do mundo que eu quis e não me deram. Sobreviverão sem mim? Minha copoanheira do Bar do Zinho falava falava falava, bebendo seu conhaque, apalpando o desencanto por comédia. O garçon trés gentill homme advertiu que pinga não é água, fechava o estabelecimento se dirigindo a nós: senhoras (!!!), tem gente que trabalha cedo amanhã… Assim nasce a literatura, quando o escritor é enxotado do bar por um ex-viciado confesso com pitos de padre. Puxei minha Schimidt, tá tá tá tá. Desfechei na rede. Antigamente, os Brasis do futuro… Ao que há: devir.
Espelho, espelho meu. Minha face deve parecer trágica. Uma máscara emergente ao fim de um pacto de anos. Eu é que seja terrível, nesse espectro, dessa vez que inicia outro ciclo. Hesito depois da coroação de uma vontade pré-esboçada, eleita apenas por compor também vestígios de um enredo encantado. Mas o artifício se estraga em ser explícito. Onde cabe o repouso desta angústia: o valor. Adorno-me com a fita do Senhor do Bom Fim, por anos. Passo rezando, temerosa, por necessidades. Há em mim um compasso lento somado à miopia e à especulação espiritual. Regem-nos meia dúzia de edições de bolso e a experiência da liberdade, lá onde se adivinha o barquinho de papel – abismo. A mágica do herói bate à porta da megera, abraçam-se, desmancham-se. A felicidade do outro será bem longe de mim, porque tenho medo de prestar-lhe esse serviço. Minhas mãos ásperas estão sempre debaixo destes olhos, parcelando-me, por dever. O que também serve de álibi, ainda, e no temor de que eu é que seja terrível. Pareceu-me sempre que eu construiria uma cidade, ou a reformaria. Das maçanetas às torneiras, dos pavimentos aos talheres, tudo sob uma ordem doce e útil. A chuva coroa meu sonho, como se ele fosse verde. Então, eu ainda era a própria chuva. Porque a minha Jerusalém permanece enquanto torço o nariz às fronteiras. Posso passar a vida num silêncio de pedra? Isso parece grande demais, me aperta, me paralisa. Ofendo os sons com intenções imprecisas, muito adivinhadas à lápis, ante a borracha. A iluminação, se há iluminação, tem de ser a lápis, ou borra-me o princípio – que é passar. Há ocupações mais sérias e dignas, consinto. Temo a palavra vagabunda, anunciada neste fado. Por brio, eu teria de abraçar o primeiro bonde ao invés de reclamar milagres. Por escrúpulo, a dependência transtorna a evasão. Talvez eu carregasse caixas daqui para lá ou cozinhasse, ou preenchesse formulários. Aos fins dos dias, no mesmo bar, falasse de política e inutilizasse o amor. Para ser exata. Tenho fome. Padeço o que sou.
Será que eu ainda sou poeta ? Faz uns dias que não escrevo um verso sequer. Ele está cá dentro e não quer sair. A poesia desse momento continua invadindo minha vida inteira. Mas no meio dessa bagunça de mudança, net cortada, quilômetros pra pedalar de bicicleta, a poesia tem me encontrado na rua, só… E quando leio “Manuelzão e Miguilim” choro, antes de dormir, exausta, no meu novo quarto barulhento. Os carros passam brrrrrrrrrrrrrmmm !!!!! Pra quê tanta pressa, meu Deus ? Ê ê ê ê São Paulo… Nesse estado, ficaremos em que estado ? Cenas do próximo capítulo.
A música parou
E fui mudar de cd.
Nada
Em mente.
Nas mãos, descobri
Apenas GREATEST HITS
E coletâneas de novelas.
Ele me olhava como num e então ?
Eu padecendo muito o silêncio
Após o groove dele.
Toda dor na face
E minha alma
Já nem mais dançava
Abatida,
Pois meus olhos encontraram, naquele instante,
Em minhas mãos,
Apenas GREATEST HITS
E coletâneas de novelas.
Minha mente em branco
Adivinhava os olhos dele
No espelho desse desespero.
Eu a desmancha rodinha
Eu a buzina
A vaia
Naquela pausa de séculos.
Mas, num ímpeto,
Dei de não bater em retirada.
Oh, não!
Saquei o violão!
Whish you were hereSábado de solYesterdayOceano…
Nada! Nada!
Começava e pulava pra outra
Sempre nesse mesmo repertório.
Tinha a voz interditada.
Já uma multidão de fantasmas
Se acercava
E você, tomando a frente,
Pedra na mão e a bagagem
De botar o pé na estrada.
Que valia eu, então ?
Aonde foram
Todos os dentes de meu sorriso?
Se ao menos
Me viesse uma piada…
Diante de mim
Apenas GREATEST HITS
E coletâneas de novelas
O violão quebrado
E esse silêncio
Instalado de vez
Como amante até dessas pausas onde a dor é rainha
De uma festa sem fim nem princípio
Além de mim
Além, onde cabe tudo… Oh!
How I wishHow I wish you were here.
Por que as pessoas têm feito tantos blogs para postar textos de outras pessoas ? O blog vira um mosaico de textos que a pessoa assina, validando a própria opinião, ou o próprio bom gosto ou a própria instrução, etc, etc, etc. Mas e onde estão os textos dessas pessoas ? Algumas já publicaram e superaram de uma vez por todas o degrau dos blogs (não chame um escritor de bloggeiro que ele se ofende!), pelo menos como suporte para a literatura que produziram ou produzem. E quanto aos autores não publicados em meios impressos? Não sei deles por aí, por toda parte … Imaginemo-nos:
This spiritual Love acts not can exist
Without Imagination, which, in truth,
Is but another name for absolute power
And clearest insight, amplitude of mind,
And Reason in her most exalted mood
WORDSWORTH