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Clarah Averbuck: quando tudo tá uma bagunça é hora de pintar as unhas

Clarah…

Não sei bem o que me traz acordada até as 4:30 da madrugada e tenho muito mais o que fazer, com tempo nem pra cuspir. Clarah… Eu só ia dar uma entradinha no site dela antes de ir dormir e topei aquela bomba de sucção: uma traição no reality show http://clarahaverbuck.virgula.uol.com.br/2011/02/08/piranha-da-cracolandia-vs-jackie-daniels/ . Nem tanto pela traição. Foi a figura dela mesmo… e varei a madrugada. O biquíni de pin-up, a maquiagem, o jeito como deita no palco, o modo como canta, a tal bipolaridade supercontemporânea. Tudo isso isoladamente já encheria meus olhos. Mas não até as 4:30 da madrugada. O fascínio dela começa na conquista impossível de um lugar como escritora no Brasil construído como fenômeno de público, diretamente. Brasileira! Preta! http://brazileirapreta.blogspot.com Depois, a gente acompanhando, tudo envolve e vai fazendo sentido. Ela, um personagem… vivo… um romance de escritora heroína de si mesma com direito a declarações tipo caixa de chocolate vermelha de coração: “preciso escrever porque se eu não escrevesse eu me perderia em mim mesma”, “preciso do palco” ou que o carinha do Vanguart com quem dividia aquele ap. com cara de república era o “homem da minha vida”.

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Now´s the time, baby

“Escrevo para não me masturbar, para manter minhas mãos ocupadas. A literatura não tem mais a oferecer do que os rostos sem expressão que eu vejo no metrô”.
Carl Solomon

Querido Peper,

também não quero chocar ninguém. E aceito conselhos se for ao som de Parker.

Entrevistar burgueses com cinco laudas deve ser monótono… A $ é boa? Melhor se fossem sempre burguesas… As burguesas às vezes usam perfumes deliciosos, é bom correr os olhos nelas, nos penduricalhos, tudo retine e tilinta, brilha, convidativo, macio e limpo. Como uma operária não pode ser… quase nunca… e por pouco tempo…

Me sentar numa sala de aula não é das coisas mais difíceis do mundo. Minha mente se descola e vai, vai, vai… cantarolo em falsete, rabisco versos, a necessidade de fugir excita minha imaginação.

Continuo ouvindo Rafael Castro, no talo. Consegui, enfim, baixar o “Maldito” e o “Raiz”, muito recomendáveis, enviarei por correio. Ou você pode baixar no http://www.rocknbeats.com.br/download-discos-independentes/ , entre outras bandas independentes.

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SONHO AZUL: leitor, meu amor

Desliguei o PC já nos braços de Morfeu e desabei na cama com tênis, óculos e tudo. Sonhei com uma menina azul me dizendo desista de contar, vá no embalo, tudo é ritmo! Pelo ritmo! Eu tinha de compor uma narrativa de versos emendados, ficção acima de prosa ou verso. Me xingo. Porque eu queria mesmo era contar de mim. Tudo é ficção. Elaboro a performance. Já em nós, em nossa troca noturna de e-mails, saudosos do futuro, provocadores, amor = humor, antes que o sol venha socar minha cara com todas as razões horológicas. Será que essa ondinha de blogs pôs tanta gente pra contar (geralmente de si) por quê? Blogueiros escrevem pra leitores potenciais, além dos visitantes previstos (permutas entre blogueiros, caridade de amigos, vigilância de parentes, curiosidade circunstancial de um ou outro affair, etc). Os mais assíduos somos nós mesmos. Será que alguém comentou meu último post? Por quê ninguém comenta meus posts? Invoco-os, incito-os, cutuco-os, e nada… As pessoas caem aqui por alguma espécie de pesquisa maluca no google? Minha aura recarregável de 1000 ampèrs não funciona? Oh tempo cego! Sertão de piçarra! Je suis maudit! Somos uns narcisistas. Mas sonho com meu leitor enquanto o invento, querendo-o muito maior do que meu sonho, faminto de liberdade, alegre, gentil e antropófago. Hypocrite lecteur, — mon semblable, — mon frère!

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