Arquivo do mês: janeiro 2012

AVATAR

Etta James, darlin’ dear… thank you…

Então me fotografe, por favor.
Estou cheia de auto-retratos
Na extensão, todos, de um mesmo braço
Esta SAMSUNG 27 mm…
Porque a webcam tampouco serviria:
Porque é fria,
Distorcida,
Excessiva no brilho além de tudo…
E depois, gosto dos ambientes externos.
Ainda mais em fins de dezembro
Ou enquanto duram as águas
Até março.
É tempo de correr na grama sob o amarelo úmido de janeiro.
Me fotografe.
A direção precisa ser impecável, ou nada, rasgo-as, deleto-as, xingo-te
Ainda por cima.
Fotografe-me em movimento
Porque quieta vou caindo, morro e temo seu olho
Viciado.
Preferível seria dançar na grama na aurora, mas não estaríamos então acordados
Quando os filmes são mesmo perfeitos, das 5:40 hs em diante, densos sonos.
Esta é a temperatura para me fotografardes, daquelas luzes, daqueles ângulos,
Oclusivo como uma concha marinha ou um eclipse
Para ajustar a imagem
Em ponto de sonho.
Me fotografe…

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O trabalho AVATAR de Maryllu de Oliveira Caixeta foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em www.maryllu.wordpress.com.

O ROQUE E EU: semântica de tabuleiro

TORRE: vê das alturas de onde ilumina o todo e guarda seus limites. Com toda razão, só pode andar retamente e apenas em um único sentido por jogada.
CAVALO: localizado o conflito, vem aos saltos sobre nossas cabeças, abrupto, dobrando força, cercando nos sentidos enquadrados.
BISPO: oblíquo e com todo alcance desde que em sentido único por jogada.
REI: contido, todas as direções são possíveis, mas só dá um passo por vez considerando inclusive o tabuleiro todo que se move em torno dele. Só o rei é real. O fim das finalidades.
DAMA: à esquerda do poder, come geral. Mobilidade total. Mas apenas em sentido único a cada jogada.
PEÕES: de vagar e sempre, em linha de frente, pouco valem, indistintos-reduplicados-generalidades. Comem de lado, daí sua suscetibilidade ao bispo por identificação parcial fundada na validade universal do poder superior a exemplo das cinco peças que os subjugam. Acuados, não podem retroceder, o que é um luxo dos outros. Jamais saltam. Mas se chegam às posições dos outros quatro, a não ser a do rei que é uma singularidade, devem assumi-las  embora se assemelhem sempre a peões.
Também quero fazer o roque, mas não me acho no tabuleiro. Quero jogar, mas em todos os sentidos e não para comer, usurpar, ascender, mas para dançar. Um bufão roubou meu coração. Ele dizia o reino procria com o amor do povo: do cozinheiro, do jardineiro, do bispo, do capitão da guarda e do conselheiro, pois o rei sempre tão ocupado de tudo já tem seis filhos. Achei graça e caí no amor. Falei pro bufão: e aí, vamos fazer um roque? Ele me levou pro puteiro mais legal do reino. Entre um gole e outro, perguntei a ele sobre o tabuleiro, se ele não tinha medo. Medo? Não posso ter medo, você devia saber que esse é o meu segredo, o que me faz dançar, o que queima meu pavio. Se ele agüenta, eu agüento? Bufei, também não sou bufa… pff… aff… Depois do amor falei pra ele assim:
- Bufão…
- rronnrc…
- Sabe… eu queria mesmo… era ser um passarinho…

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O ROQUE E EU: semântica de tabuleiro de Maryllu de Oliveira Caixeta é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported.
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