Sempre somos jovens ou velhos de mais para tudo que realmente importa e para qualquer gesto espontâneo. A inadequação, a anormalidade, deve ser o comum… pelo menos de perto. Porque a certa distância, nosso olhar e nossos gestos são mais ou menos calibrados pelas mitologias, adagiários, almanaques, cartilhas de toda sorte (revistas femininas, marketing, folhetos de missa, novelas televisivas, musas do cinema, modos-manias-e-manhas dos integrados, etc). Grosso modo, de cara nos etiquetam conforme nosso padrão de consumo, o que inclui bens materiais e simbólicos. Precisamente como playmobils…
I´m a playmobil, fuck you… Uma playmobilzinha de trinta anos. Dizem que até conservada… E já faz tempo que me chamam de senhora, no comércio. Eu não ligo.
Primeiro, trinta dias de inferno astral. Pitei, bebi, chorei, cantei com toda a força dos pulmões, dancei pela casa, gargalhei, me passei várias vezes, em suma. Feito doida. Poemas brotaram de meus sonhos. Tive de pensar na morte. Ela virá. Eu sempre soube. Aliás, ela me freqüenta, assídua. Foice nela!
Safra difícil, mas encorpada, seca e muito aromática. Mandar tomarem no cu os obstinados a me aborrecer já não me ocorre, nem dá vontade de chorar. Não por isso. Tenho chorado outros choros, mais bonitos, mais tristes. Também outros risos me acodem, mais inusitados, com ressonâncias improváveis.
Traçaram-me de régua um mapa astral. Meditava naqueles traçados quando o Benjamin me informou que os judeus consideram abominável consultar os astros. A rememoração espreita a fresta futura de que saltará, num átimo, ótimo, o reino de Deus desde sempre e para todo o agora. Aleluia! Com que júbilo tive de desprezar o retorno de saturno!
E agradeço os milagres aos tombos dos dados emanando dos inesperados.
Parabéns Maryllu, pelos trinta e pelo texto – à altura. Comemoremos!
Beijão
Trinta anos é uma idade de pensar nas loucuras que fizemos (e que ainda dá tempo de fazermos). Continue sólida e fluida. Consultar os búzios já consultei. Disseram-me que serei um compositor. Haha. Tenho 32 e ainda me vejo jovem mas com aquela contagem regressiva na cabeça. Até quando poderei ser louco? Talvez pra sempre se não perdemos o controle do navio.
Parabéns pela data Maryllu!
Vejo q cabe aqui: sempre q penso na inexorabilidade do tempo, me lembro de bon scott, ressoando estes versos tristes e lindos:
“Broke another promise
And I broke another heart
But I ain’t too young to realize
That I ain’t too old to try
Try to get back to the start
And it’s another red light nightmare
Another red light street
And I ain’t too old to hurry
‘Cause I ain’t too old to die
But I sure am hard to beat…”
Depois, se quiser e puder: http://youtu.be/XNdagpIgItw
É Lu, depois dos trinta, só mesmo mais uns noventa prá ficar legal!!
Talvez esse tenha sido o parabéns mais atrasado da História, mas ele sempre esteve lá, embrulhado nos meus sentimentos para e por vc!!
Um cheirinho!!
PH