O espelho tem razão como imagina ?

DIRETO DO OLHO DO FURACÃO: idílio contemporâneo

03/12/2009 · Deixe um comentário

Será que eu sou contemporânea? Baby, eu me acho um broto tão atual… Uso mini saia e falo palavrão. Papo firme. Palavrão digo pra mãe. Longe, honro boas maneiras: obrigada, por favor, bom dia, boa tarde, sintaxe interessante, inflexão interessante, elocução interessante, palavras, e palavrinhas delicadamente colhidas, tangidas e tolhidas como ovelhas. Mel e pastores. Sonho com pastores que não vivam de assentar alheio gado, rios e árvores. I am a wonderlust queen. Se passo uma semana naquele centro de Belo Horizonte, fico deprimida porque não tem árvore nem passarinho. Viro meu vermute, taco a bagana no chão, cuspo em meu balcão de bar de fórmica vermelha… Quero pastores de tanga tocando flautinha pra mim, semi-desnuda num vestido a Botticelli, estendida na beira de um rio, bebendo mel e vendo crianças balangando em cipós na direção dos mais deliciosos TI-BÚMNS… No Brasil do latifúndio, sonho aristocrática com rios e mel. Meus antepassados jagunços defloravam moças na beira do rio lavando roupa. Jagunços que estripavam pra ver o tombo, até em quermesse. Jesus! Se a violência é a real, está choca não é de hoje. Que esse mundo é velho… Não quero fazer espetáculo de antepassados jagunços, nem daquela que pariu sozinha no mato, jogou o bastardo no rio, pulou atrás arrependida e morreu constipada. Essa é a real, dei a fita, é tudo isso… Mel e pastores… Oh yeah

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TAGARELICE NA ORDEM DO DIA

26/11/2009 · Deixe um comentário

 

Arhmadinejad veio ao Brasil. Testas se franziram nos noticiários. Não cai bem chamar um inimigo super-potente de desgraçado. Homossexualismo = doença ou perversão da natureza, no oriente. Aqui, é constante piadística. Todo compositor contemporâneo precisa conhecer molécula de urânio… Só falam em guerra lá fora…

 

Vamos ao cinema, baby?

 

Em tempos de vampiros, Harry Potters, 2012s, fim da era de aquários, a fantasia está em alta. A internet é minha melhor amiga. Meu blog é palavra impressa, em comunidade global. Tô tão sozinha… Todo mundo anda usando camisinha? Que gosto tem? Sexo oral é um perigo. Os pais estão preocupados demais, com medo que seus filhos caiam nas mãos dos narcomarginais e dos molestadores sexuais. De toda parte, vêm conselhos. Todos sabem exatamente o que eu devo fazer. Só esse mês, li os dez últimos best sellers a respeito. Não dá mais pra Diadorim? Rubem Fonseca me deu tédio, ainda mais quando cê me tacou na cara que tavaí a natureza humana, que somos uns escrotos, que eu é que tô por fora, que os hippies já eram (se bem que eles faziam bem mais sexo)… Contemporâneo é acrílico e sintéticas. Depois, a natureza não tá barata nas agências de turismo. Temos hotéis excelentes no Brasil. Conheci um entregador de pizza londrino no msn que me chama flor da Amazônia… Falei pra ele assim: sou o mundo, sou Minas Gerais…

 

Voltamos tagarelas das guerras. O Ferrez nos dará a real. Le monde de mes pensées c´est plus fantastique que l´original… Faço mea culpa cada vez que alguém me pega olhando a bunda de alguém e peidar em público às vezes me diverte tanto…

 

“Nesse mundo louco em que vivemos, quem poderá dizer o que é certo ou errado?” (SIMPOSON, Bart. Episódio em que Lisa entra em mais uma crise moral. Minha casa: TV, 2007).

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PLÁGIO 100%: produções Barba Negra

05/11/2009 · 4 Comentários

Meninos que lêem Bukowski e escutam Bob Dylan

“Puta merda! Burrice, burrice…

            Coloca o som do Bob Dylan e pega emprestado a porra de um livro decente e cheio de sacanagem. Burrice não só pelo fato da Maryllu não entender as músicas do Bob Dylan que não são da época de protesto, aliás entender música o caralho! Não! Não só, não importa as músicas do Bob Dylan, mas eu quis por esse som, eu quis achar algum som de alguém que tenha sido bem porra louca, tão porra louca quanto o catso do Marcelo Mirisola. O Herói Devolvido me deixa puto, mas eu leio mesmo assim.

            Tem uma porrada de coisas malucas e mais degeneradas que o Cheiro do Ralo. Mas me fode a parte das referências, e das malditas palavras que eu não sei o significado e que, nem fodendo, eu vou olhar no dicionário!

            Burrice é o ato de fazer, então não! Burro, me sinto burro, burro pá caralho. E que se dane, dane-se mesmo. Eu gosto de ler as palavras, gosto do som delas e percebe-se a maluquice toda. Adoro quando ele fala de putas e cu, adoro quando “cu” aparece escrito, adoro ele matando Sylvia Popovic e se punhetando na cama, a mulher dele putona da vida. Adoro essa merda toda!

            Mas tem hora que não dá, não entendi merda nenhuma do último que li, era alguma homenagem a outro cara foda pra caralho, e falava de Buenos Aires e misturava um monte de referência, uma penca de malditos nomes, malditas expressões, maldita maldita preguiça! Porra, não podia ser um Bucowski?! Não podia ser tipo Factótum, porque esse eu me sentia menos burro quando lia, e me sentia mais fodilhão quando entendia cada sacanagem e merda que acontecia com ele inclusive as últimas palavras que encerram o romance: e eu não conseguia ficar de pau duro!

            … num sei se leio inteiro até poder dizer “Num entendi 70% mas gostei da sacanagem e adorava ler imaginando algum personagem frenético e ferrado falando tudo aquilo, tudo sem parar, era como uma música com música atrás. Mas não entendi nem fodendo, não entendi mesmo quase que merda nenhuma!”

            ‘Cê entendeu? Ah vai me fazer entender qual foi dessa porralouquice toda! Qual é?! Que que custa?

            Catso!

            Ou então nem leio mais, devolvo essa merda, e me expresso de soquinho, falo ‘brigado e vou embora do nada..

            Livro da hora… aprendi que “catso” é com “s” e não com cedilha.”

                                                                                                                                               I.

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JUPTER MAÇÃ FOREVER AND EVER

21/10/2009 · 1 Comentário

C@ro Pepper,

Sabe que eu não sou muito chegada em Tarantino? Até gosto, mas como no futebol, não me empolgo tanto, e ainda menos vendo os outros tão tão…

Meu entusiasmo excessivo com Jupter Maçã… Também não entendo que desconheçam pérolas como o HICIVILIZATION e o PLASTIC SODA. É por aí que eu falo em genialidade. Acho também divertido, como nada mais me pega tanto, sacado, no clima do rock and roll como temos dificuldade de sentir. O humor é irretocável. E a gente tem de ouvir desde os CASCAVELETES, ouvir tudo. Rir da despretensão, da juventude como raramente a temos no Brasil. Raramente. Para onde vai a minha juventude? Muita droga pra pouco sexo (e ruim!) e o rock and roll é fita classe média. Quem tem uma garagem e uma guitarra no Brasil? Rimos com: http://classemediawayoflife.blogspot.com/

O mesmo com Raul, que sendo uma unanimidade de greatest hits, continua um ilustre desconhecido. Gênio reduzido a estigma. Escreverei em minha lápide fria: Maryllu (coração) Raul. 

Já ouvi esse Roots (1996) do SEPULTURA uma vez… Índios xavantes Jasco e Itsari, no Mato Grosso são atraentes. Às margens do Rio das Mortes…

Boa sorte para nós, que a juventude ainda está aí e os tempos são esses como foram já outros.

Beijo! 

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JUPTER MAÇÃ E MILTON HATOUM

15/10/2009 · 2 Comentários

 

C@ríssimo!

há muitas e boas novas! A primeira e principal é que houve JUPTER MAÇÃ na praça de São Carlos, aqui do lado, de graça! Tocaram por uns 40 min. fazendo um apple sound, uma coisa meio folque, com violão de aço, sanfona e tambor, teclado. Lindo demais! Mas não aquele som encorpado, que a gente escuta no cd, tava bem acústico, simples. Ainda lindo. O público, modesto, só se empolgou com LUGAR DO CARALHO, e não o quanto deveria. Me deu uma ira. Gritei: por que não houve o maldito + 1! Fiz papel de louca. Depois puxei o vocalista pelo braço, fiquei abanando as mãos e só consegui dizer que era absolutamente genial ( com repeat: genial, genial). Babei azul. Voltei as costas e fiquei completamente exaltada e fora de mim. Sentei num lugar perto de onde eles tavam enchendo a cara e pitando e indo, de quando em vez, ali no fundinho fazer crime. Eu olhava olhava e nem prestei atenção no show do CACHORRO GRANDE que tava bombando. Eu pensava meu Deus o cara tá bem ali. Engraçado que por algum diabo não consigo saber o nome dele nem me interessa. Sintomático, einh? Cacete. Quanto tempo vai levar pra humanidade dizer comigo que o JUPTER MAÇÃ é absolutamente genial? Melhores que os MUTANTES e sometimes, veja só, falo sério, não blefaria em tema de tamanha relevância existencial, melhores, em certo sentido, até que THE BEATLES! Sim! Melhores! E tão ali, eu emudecida, descontrolada, idiotando, inerte, humana, mesmo trágica. Chorei lágrimas grossas. Fiquei só com as estrelas. Nem consegui beber o resto da noite. Tô com um nó na garganta até agora. Queria que o Pepper tivesse lá comigo. E você também.

Mais cedo teve o PORCAS BORBOLETAS, e eu perdi porque não sabia… Eu tava carburando excelências em casa de uma amiga.

Também teve o Milton Hatoum, em São Carlos, anteontem. De foder. Perguntei o que quis e fiquei satisfeita com aquele homem bonito e desassossegado de prosa tão vigorosa e sensual. Eu podia morder ele todinho, coitado. Andei lendo o DOIS IRMÃOS e o ÓRFÃOS DO ELDORADO. Ele merece todos os Jabutis. Cê leu? Compra o DOIS IRMÃOS, já. Cê ainda tá interessado nos contemporâneos? E taí um cara comprometido com um contar de valor. A academia reconhece, coroa, a gente implica, porque ser underground é mais cool. All right? Mirisola, com todos os arrepios na espinha, faz menos. E tenho dito. O cara tem um narrador que imita o contador, reativa o mito amazônico sendo também contemporaneíssimo. De foder. E quente. Tesudo. Ando comendo coalhada seca e pão sírio, com aspirações ao mistério, dando uma banana selvagem para a inteligibilidade excessiva dessa nossa era decadente e fútil. Ai ai! Peguei o virus Hatoum…

Recebo seus torpedos, tão bonitos… cê anda com Pessoa por aí… boa companhias… sintonizo-os.

Vão dicas de site para estudo de francês.

 

http://www.podcastfrancaisfacile.com/

http://www.lepointdufle.net/fle-en-ligne.htm

http://br.syvum.com/idiomas/vocabulario/French/

Sinto saudade, muitas vezes.

Beijo você

p.s.: post! 

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TUTAMÉIA: você não vale nada, mas eu gosto de você

08/10/2009 · 1 Comentário

 

Tudo que eu queria era saber por quê!

A princípio sim! Semear! Semear nosso jardim, nossa ceara! E os jardineiros se reconheceriam… Uma fraternidade secreta… Mas não me convidaram pressa festa pobre que os homens armaram pra me convencer. Meu corpo de baile sente nostalgia do futuro nessa luta amorosa: amor fati.

 

Pensando agora no João Rosa: arquiteto… O jardineiro era da unidade, integrado ao jardim. Não se parece comigo no meio dessas engrenagens, mecanismos, engenhocas cibernéticas tipo blog, etc. O racionalismo do Rosa conta com inhos engenheiros e com os cálculos insondáveis de seu Curtamão… Ainda, passando pelo não senso como racionalidade máxima que ele é. Jogo ideal. Não senso = matemática. O não senso supera o supra-humano, com forças para além das nossas, tão parcas. Até o erro contribui, valoroso. Tudo fica sendo a aventura… Perigo e travessia.

 

O Rosa é medonho! A gente endeusa o mega projeto generoso do cara. Acho que ele se preveniu acerca disso. Atinou: meu raciocínio e sensibilidade estão tão acima dos dessa galera mamada nas novas mídias que terei de lembrá-los de que sou humano, sujeito a erros, preconceitos e valores limitados. Um antídoto à idolatria e à antipatia. Aí, ele foi fazendo o Tutaméia, pra continuarmos procurando o sentido ao invés de nos pegarmos com São Rosa. Para tudo cito o Rosa e minha loucura é uma tentativa de interpretação das paródias dele… Desconhecendo os textos parodiados… Mistificando… Mitificando… Temerária, quando não kafkaesca.

 

Ai ai… E no nada. Nonada. Nesse céu sem ninguém, a não ser lá em Minas onde ainda não deixaram Deus morrer, tem de haver espaço para a esperança, ainda… Um dó lá cipi e já!

 

Um projeto literário dos mais geniais, que também serve como guia espiritual, intelectual e, principalmente, poético. Estamos ressequidos de tanto que tem faltado poesia. Ler os velhos contos de fadas, fábulas, imaginar, desejar, e ousar! Ousar com astúcia. Para tanto, vamos afinando a mente e o espírito. A preguiça mental é nossa inimiga nº 1. Não podemos nos render, a luta não dá tréguas e é difícil afastar o desespero.

 

O Rosa acaba nos levando para o nada. Daí, para a  poesia, que será a única salvação possível. Oxalá. Com o pensamento apaixonado e a sensibilidade afinada pela poesia, vai se fazendo a intimidade com Rosa. A gente precisa esquecer um pouco que ele é GRANDE. Acho que ele deu essa dica. Tutaméia é “quase nada”, também, nadica, coisa de pouco valor. Um caminho para a amizade conosco, que também somos muito pouca coisa… E nem vem me tapear dizendo que sou uma gracinha… Com tanto dingle de comercial de margarina na cabeça… Nada mais gostoso que o babalou banana… Leite condensado caramelizado com flocos crocantes… Ê-eu não vejo a hooora de te tocaaar, te ver mais uma veeeez, te saboreaar… Ao invés de sofrermos com isso, aprenderemos com Tutaméia a aproveitar essa perspectiva marginal. Tipo: caipirinha pós-limão.

 

Isso dá cagaço. Vertigem. E também paixão. Paixão pelo pensamento, com o paradoxo. Paixão pela vida, com a poesia, a única liberdade possível.

 

Não enganei você! Tenho cagaço e acho medonho, só isso. Claro que eu adoro. Tenho cagaço e acho medonho justamente porque tenho passado os últimos anos pensando e vivendo e decorando o TUTAMÉIA e é assustador um mecanismo tão sem brechas, tão sem chances de permitir uma interpretação definitiva. Uma obra que chama à interpretação continuada. Porque a gente se empolga e depois vai descobrindo que interpretar rápido é temeridade. Ganhando gosto por paradoxos, o pensamento se apaixona. A gente já não pode ser o mesmo. Nada se conclui, sem temor, sem reticências, nunca mais. Ele desmontou minha cabecinha para sempre. E me deixou no nada, NONADA, para sempre!

Que cagaço! Xonei… E tudo que eu queria ainda quero e quererei quiçá: era saber por quê! 

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COMO DIADO NÃO ESQUEÇO NADA

30/09/2009 · 1 Comentário

Por Sócrates

Caminhávamos pelo supermercado e cê pegava as mercadorias, tagarelando sobre a relação lucro-benefício entre pão integral, cereais, azeite, vinho português & saúde, alegria, paladar, longevidade. A amiga vendeu o carro, largou emprego e se mandou pra Europa atrás de um amor que deu pra trás! O cara do planejamento. Metas, etapas, meu estômago indo pro saco, insônia, a panela de pressão no fogo, fui comprar cerveja e nunca mais voltei, como cê demora no banho… Caminhamos até o Mercado por causa de uma odienta couve-flor. Mamãe nos obrigava a engolir tudo junto com choro e vômito. Anos depois, anêmica… Meu sonho era um comercial de amaciante + gastrite. Regurgito Mirisola. O taxista falou não chora não. E ficou tudo fora do lugar, café sem açúcar, dança sem par. Entre punks e dândis… Dei pra pintar as unhas de vermelho, sem tirar as cutículas. Idolatro Woody Allen, macarrão à bolonhesa, Porca de Murça e sexo, nessa ordem.  Dizem que sou irresistível, mas há quem desdenhe. Depilando de porta aberta! Enfiava o alfinete com ponta de gancho na cara toda, seu bicha. Aprendi aquela de tocar flauta pelada, andar pelo apartamento pelada sob luzes inéditas num conceito infantil de nunca os seus pés noir. Desde então, vamos comer Caetano. Passei a dançar Beethoven sozinha, até cair no chão. Dançar como uma bacante anacrônica. Maluquei. Vou ao samba me benzer. Fodeu o joelho e bancou o estóico. Arre! Onde é que há gente no mundo? Então eu ficava enchendo a cara de vinho, pelada, riscando a edição rara de Baudelaire e tendo vertigens, chegava um cara cansado de camiseta vermelha de algodão e bermuda de sarja e mochila, meu sósia, esparramado no chão onde foi-se o cabaço. Depois, Valéry, ritmo & cosmo. Eu daria três por dia, no mínimo, mas nem tanto beijo era possível, o mínimo impossível. Por que não no cafofo que descolei, rapidinho? E como era o nome daquele hotel com baratas a Nelson Rodrigues, cafetina gorda e lençol fedorento onde alguém seria assassinado de madrugada? Depois que cê se embebedar… Só uma garrafinha de vinho e um abre e fecha de armário dos infernos, um chilique horroroso, naquela cozinha imunda toda sol, luvas de borracha copiei também, a janela de onde a costureira tinha um papagaio? O suicídio seria mais que uma obsessão literária? Um barulho de enlouquecer. Depois, aquela bolinha que batia na parede e voltava, batia e voltava, batia e voltava. Curta contemporâneo. Performance privada. Cê aprendia a botar um pau enorme (nosso pai!)/cu/porra nos poemas, estetizando com João Cabral & Casa Nova & tanto Barthes! Pessoas estranhas ainda contam coisas íntimas pra mim no ônibus e posso falar sobre putas por horas. Café com conhaque, carlton creme, Guimarães Rosa e esse papo de bicho grilo pra cima da diva aqui? A disparatada… Vinha de outras instâncias… Espreguicei em pé, pelada, como Gala tenho costas dignas da eternidade, em mil versões. Aqui, ó! Cê ri como uma bicha! E não havia árvores. I will always remember to forget about you. Minha cor preferida é vermelha. Aquela chave azul ainda abre nada?

É isso, beleza, só pra dizer que também fiquei despedaçada

com amor,

Bichinho Grilo (é o caralho)   

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DANCE WITH ME… TALK WITH ME…

25/09/2009 · 1 Comentário

C@ro Pepper,

Conselhos para nós: os erros também contribuem. A prudência pode ser heróica. O impulso é apenas mais divino, a prudência é humana e bela, mais bela. Somos mais belos que os deuses. Eles nos invejam, porque estamos comprometidos com a finitude. Cada nadica tem tudo de nós, para sempre. Nossa marca.

Seu lado feminino deixa o seu masculino mais sexy, vai por mim. Os homens andam sensíveis, frágeis… Muito dados à fantasia, sedentos de graça, de afeto, de sublimidade, de encanto, ainda mais que nós fêmeas. Porque cês já tão cansados do what a pieace of meat. Velhos objetos, nigers of the world, exultamos com a propaganda da velhinha que aconselha a neta ao sexo casual com o galã, no restaurante. Isso é tão moderninho! Somos LIVRES. Meter a mão num belo pedaço de carne! Oh yeah. Por que mesmo precisamos tá bêbedos? A gente senta na cama e chora. Ela passava batom esperando por ele na janela e aquele como foi seu dia era antes de ser um clichê? Chega de verdade é o que a mulher diz? Tô tão infeliz… Tô tão sozinho… Fizemos tabula rasa do pensamento moderno e agora entramos em todas as frias, tamos numas e o jeito é fazer muita yoga e vai mais um drops aí? pÁra o mundo que eu devo ter descido onde? Ops? Na porta do banheiro público tem um monte de recado de minas que querem minas ou fingem querer e outras as agridem por isso. Não é um privilégio dos caras a agressividade diante da transgressão, nem isso se dá apenas nos terrenos picantes do sexo.

Mulheres & Veneno… Desde Eva… Eu quero um macho com um tacape enorme pra eu baquear pra valer! Uga! Uga! Que ordem natural? Lei do mais forte, o jogo não dá alternativa, etc, etc… Cara, sai dessa. Meu peito também tá dilacerado, pelas mesmas razões… Compreendo… Minha dor não é minha… Não ceder não é reagir explicitamente. A paciência… ai ai… a inteligência… a esperança… palavras velhas… a via estreita da anestesia… coragem para dentro, coragem de ter esperança, para além do que nos toca. Não vi o Gran Torino… Fica a dica pra mim, então.

Os ratos na rua… Cê tá kafkiando comigo? Acho que cê encontrou algo. A agressividade é atraente, mesmo. E nem sempre é ruim… Mas pode ser uma errada, cara… Tudo é o tanto.

Beijo você

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LOBÃO TEM RAZÃO

17/09/2009 · 2 Comentários

C@ro Pepper,

a palo seco. Sem gelo. A vitalidade é um valor para você, né? Isso é bonito. Também andei ouvindo muito os Stones. O let it bleed. Quanto aos Stooges, em geral é demais pra mim.

Deixar sangrar não revigora em plena guerra? It´s my pleasure… O erro nos ensina o essencial, my precious… Eu sugo seu sangue, você suga o meu, incendiamos umas bibliotecas, gritamos para as estrelas, bêbados como heróis ordinários. Só porque somos fascinados pela eternidade. Einh? E ninguém desconfia, cara. Só os Rabugentos riem no mundo do Dick Vigarista? Ai que medo!

Também sinto essa ternura sacro-erótica pelas pessoas na rua, às vezes. As mais escrotas, inclusive, ou especialmente. Dedicada a essas insânias, os anjos têm me acudido tantas vezes que não como não como não como. Tudo no mais sublime dos casos. Você tráz a coca-cola que eu não tomo, porque o líquido negro do capitalismo dá celulite. E a nudez da mulher é a obra de Deus à imagem nos outdoors. O que ainda haverá para descobrir? Nossos olhos gulosos encontram promessas como as paixões alimentam-se de enganos. Enganar! Iludir!

Resumo da rua: cobras, bandos, hienas, perus. E regendo o zôo, lógico, a distância cabeça de janelas indiscretas. Demorou na água? Olha o tubarão!

Cara, terminar a facu não tem nada a ver com ser ou não culto ou com mulheres que cê pode ou não impressionar. Tem a ver com o fato de que é mole procê e que é MESMO um adianto, prático e raso como a necessidade. Artistas e mestres, hippies e punks, errantes, guerreiros do morro não são melhores exemplos que acadêmicos em suas salas sem ventilação nem cheiro de flores. É na Arcádia que a caveira encontra seu melhor close.

A sala de aula é uma ocasião para pensarmos o ensino, a formação dos especialistas, a motivação diletante, o beletrismo, entre outras coisas. Entrar no jogo não. Achar brechas e furar, furar, furar… Como é? A história: tragédia-comédia-farsa? Não ri. L’amour est nonsense! Você me aconselha a não correr perigo num blog que ninguém lê?

Ganhar partidas de sinuca com um cigarro na boca e jeito de samurai. Seja o taco.

Becitos

p.s.: post!

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ENCONTRO DOENTE DE HISTÓRIA

09/09/2009 · 3 Comentários

(…) tout se correspond (…); c’est un résean transparent qui couvre le monde, et don’t les fils détiés se communiquent… – NERVAL

Aquilo foi, naturalmente, um milagre dos mais banais. Entusiasmados, por princípio sacamos velhas fórmulas anestésicas. Procurávamos. A velhice nos encaminha à certeza do encontro impossível. Passaremos de tolos afoitos a sábios amedrontados. Para tanto, colecionamos clicks da versão decadente, mas com estilo: a história oficial. Apenas um tiro antes de conferir o próximo buraco, no tempo inventado de um guincho. Daí, a pressa, a assepsia, o horror. Hello, goodbye heart. Encontrei sob a lua a bela que me conduziu à floresta e, despindo-se, mostrou-me chorando no seio direito, que eu mamaria, do tamanho de uma maçã, seu cancro. Eis a história de minha iluminação. A melancolia vinga-se de nossa coragem. Contamos com a maledicência dos amigos (nossos irmãos, nossos iguais) e arrematamos as dúvidas com as agulhas da preguiça e as linhas do provincianismo. Cada vez mais sensíveis à arte, pela coroação eterna da miséria. Se ainda ousarmos alguma saudade do futuro… Mas a decrepitude exigirá cada vez mais da imaginação e do amor, esses moribundos. Para tanto, que força? A chuva me abençoa, neste ano. Também naquele passado. Íamos à igreja agradecer e sinto o cheiro do pão que eu mesma assava. O vinho ainda nos espera. Mas golpeio de agulhadas os olhos do anjo que me vigia. Guiam-me pela mão o perigo e o desastre. Porque adivinho um desfecho pesado demais para ser eterno como a aventura que, quando vem, me assiste assustada. Confira a textura desta infecção: o enredo de minha história. Bailarinos sob o clarão da lua… Enlacei e beijei uma mulher da rua: quarenta anos, dois filhos, quatro netos, hepatite c, começou a se picar aos 13, anos 80 & o boom da coca, o negócio era trabalhar, a mãe não dava a mínima. Eu fui tantas e por elas rejeitada é que tive e tenho amor. Nega meus beijos a mulher de casa. Era bonitona, comia às vezes mandiopan com coca-cola. Aferrada às malícias e aos cadernos, sobre belas pernas, cachos pretos, rosto de rainha, desdém do divino deixado para trás junto com a família de agregados expulsos da terra sagrada. Vinha a modernidade atropelar piruetas na grama pelo caminho da roça. Tudo virou ressentimento, na roda mais vulgar deste mundo velho. Cavalgada pelo homem de família, uma vida inteira.

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